segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Quando a Lua for aqui.


Seu olhar tão sincero

Seu beijo imaginário

Eu aqui só te espero

De balança a sagitário


Ouço a luz do seu sorriso

Que alumia meu corpo inteiro

Com o luar do que eu preciso

Como o gosto do seu cheiro


Tem noites que são tão escuras

E te imagino na parte mais clara

Como no fogo as próprias fagulhas

São as palavras que você declara


E vens com ternura escolhida

Atravessando o vazio que separa

Refletindo a luz que é cedida

Pra mostrar-me uma vez encantada

Do seu corpo só sinto a partida

Quando os olhos só sentem chegada

Vem e canta pra mim a cantiga

Que a razão já será enfrentada

Vem e abre de novo a ferida

Que em mim já deixaste fechada


Volte menina da lua

Pra entender que o meu peito é seu lar

Pegue essa parte que é sua

E não deixe a fogueira apagar


Se não manchas o solo em sua terra

Que o limpo não pode preencher

Como a espada do santo na fera

E vermelho daqui vou te ver


Será que me entendes

Será que ainda existe

Onde repousa seu corpo moreno

Dessa terra onde o sol já se viu


Tome banhos junto as estrelas

Coma em marte e dance em saturno

Vou procurar entende-la

Quando danças no chão obscuro


Amanhã vou pedir uma asa

Emprestada da ave mais forte

Que consiga bater no vazio

Vou batendo até sua casa

Vou sem medo voar para a morte

Pra deitar no seu colo macio


Dance, moste, reflita sua luz que é dada do céu

Como a noite as estrelas te invejam

Quando danças saturno e o anel.


Tens o dom de encantar

De refletir a luz que te dão

De mostrar a beleza no mar

Quando as ondas se deitam no chão

Quero ver o seu rosto infinito

Quero entrar pra cantar no seu lar

Me imagino pulando nas nuvens

Me imagino escalando as estrelas

Correr e nadar no vazio

Pra encontrar-me outra vez em seus braços

Sentir sua pele macia

Seus cabelos flutuando em minhas mãos

Juntos seremos o amor

Que as estrelas no céu vão cantar

De longe veremos a Terra

Sua terra sua água e seu ar

Sem ti sendo ela incompleta

Hoje quero apenas sonhar


O que sentes?

Como andas?

O que pensas?

O que desejas?

São os mesmos que os meus?

Hoje a lua no céu se escondeu

E meus olhos não podem te ouvir

Mas seu cheiro atravessa o espaço

E onde fores eu posso sentir.

E sinto... cada dia mais.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Único Encontro.

Ele sentou num bom lugar pra esperar a noite cair, o Sol ainda brilhava forte sobre seus olhos enquanto ele não conseguia parar de pensar em como seria. De repente percebeu que tinha cochilado e a noite quase caíra sobre si, lentamente, mórbida, sutil e fria com o calor das noites de verão. Era setembro, as nuvens eram raras e Venus foi a primeira luz que surgiu depois do sol. As aves passavam, mas nada como o vento pra distrair aquele olhar, que pairava no horizonte, sobre a esperança de tê-la em seus braços uma única vez. As folhas dançavam com o vento, quando pôde sentir que devia olhar pro destino contrário. E viu. Sua luz cintilante como costuma ver, só que dessa vez mais forte. Era como se todos os pensamentos do mundo gritassem em seu ouvido, mas que surdo seria com tão esplendorosa luz. Via-se uma luz diferente saindo de lá, como um pequeno cometa branco (ou azul), que lentamente descera. Seus olhos lacrimejaram, parecia não acreditar no que acontecia, os enxugou com toda a força como se fosse pra acordar, mas com a pura velocidade e vontade de não perder nada daquele momento. Mal sustentavam suas pernas, os braços se abriram sem mesmo perceber, até que ela chegou. Parou flutuando em sua frente, teve medo, apesar do desejo. Ela era exatamente como sonhara, mas aqui estava viva. Suas bocas levemente sussurraram “meu amor”, e tentaram pela primeira vez se aproximar. Apesar de tudo ele custava a acreditar. O que diriam? Como provar o que estava acontecendo? Pensamentos tolos o seguiam e num instante decidiu se empenhar apenas em tê-la. Assim eles se tocaram, sua pele era macia, iluminada, levemente corada pela luz maior, seus cabelos eram negros como o espaço vazio e refletiam com brilho as pequenas estrelas da avenida de leite. Seu olhar era tímido, mas revigorante e percebeu que sugara tudo de bom sem dar nada em troca, e isso o fazia querer mais, se doar por inteiro a esse negro sol. E assim foi quando se abraçaram e pode ver seu primeiro sorriso. Lembrou da primeira vez que olhara pra ela, da janela do seu quarto, iluminando sua cama, era como se as mais belas melodias fossem tocadas e seu corpo inteiro experimentara a alegria de viver e viver feliz. Sem nunca se falar, sem combinar nada, deram um beijo pra selar o que estava escrito. Não consigo descrever seus sentimentos nessa hora, mas posso dizer que nunca houve maior alegria. Ela sensata, em meio a excitação do momento, lembrou de te dar o presente que trouxe, pra ele lembrar dela mesmo de dia, uma pedra(coisa que mais tem em seu lar) branca, que guarda a luz. Ele apesar de não combinarem, trouxe algo pouco romântico e mal pensado. Três sementes de rosas e uma garrafa de água. Passou o resto da semana lamentando por esquecer-se de dar o ar. Mas mesmo assim ela aceitou, pela leveza da semente que apesar de não estar viva, carrega a esperança de nascer. Contou sobre a Terra, deitaram na grama e planejaram a vida juntos (mesmo não sendo possível). Teriam três filhos, o primeiro seria Jorge, por derrotar dragões em seu lar, além de estar sempre com ela, defendendo do perigo. Após viria Luna, seria simplesmente a figura da mãe com ele, cresceria feliz e seria uma grande astronauta pra poder levar seu pai até o satélite maior. E o mais novo era Pedro, um geólogo ou geógrafo, que estudara as leis da terra e suas interações, cavaria ao centro da terra e encontraria um único lugar onde seus pais pudessem viver juntos, com sua bela família. E lá viveriam, teriam um jardim com belas flores e uma coleção de pedras coloridas que guardam luz, teria um campo onde correriam todos os dias de mãos dadas e um riacho pra ele salva-la do afogamento fingido e cantar “meu herói!”. Conversaram tanto, planejaram ficar ali até o sol se mostrar, mas ela estava cansada, foi uma viajem exaustante. E ele ali, apesar de estar a dois dias acordado, não conseguia parar de olhar pra ela, admira-la e guardar seu rosto na memória pra jamais esquecer o que haveria de ver somente esta vez. Mas também estava cansado, seu coração nunca bateu tão forte por tanto tempo. Até que acordou com o primeiro raio de sol em seu rosto, assustou lamentando-se ter dormido e não se despedir. Gritou seu nome o mais alto que podia, mas a luz do sol mostrava apenas a face pálida da Lua. E em sua mão apenas a lembrança do que realmente foi real, brilhava quase tão quão ela brilhava nas noites mais escuras. Deitou novamente na noite seguinte, na outra e em muitas outras pela frente, mas ela só viria uma vez. Tornou pra sempre arrependido de ceder ao sono, e assim passava quase todas as noites acordado, com a pedra na mão.

Conta pra mim o que te fez chorar?

Foi o sol se esconder mais cedo, ou a noite demorar pra chegar?

Foi seu medo, calor e desejo ou a simples vontade de ficar?

Agora conta pra mim o que te faz feliz?

A lua, a rua, um doce, um beijo, uma noite escura com estrelas claras, abraço apertado, nadar no calor, uma cama quentinha, chocolate quente? O que te faz feliz? Sair com os amigos, beber uma gelada, rir da piada, jogar conversa fora, fazer fofoca, ficar acordado, nostalgia, brincar na terra, plantar flores, correr na chuva, beijar na chuva, deitar na chuva, fazer qualquer coisa junto e na chuva? O que te faz feliz? Ouvir uma história que faça sentido na vida, ou uma simples estória engraçada, fazer cosquinha, levar cosquinha, guerra de coquinho, fazer o gol, correr mais rápido, ralar o joelho e rolar de rir caído no chão, olhar pra ela (lua ou não), fazer carinho em seu cabelo, acordar tarde, dormir tarde, dançar até doer as pernas, correr abraçado, conhecer os Alpes, as praias, os segredos dos sete mares, encantar pessoas, fazer xixi escondido, ganhar um beijo da mãe, subir nas costas do pai, um carro novo, uma roupa nova, uma droga nova, uma novela nova(droga), um dinheiro novo? O que te faz feliz? Catar o lixo, ajudar a velhinha, conversar com o mendigo, fazer um curativo, fazer café pra sua mãe, acordar com um beijo, ver fotos antigas, tirar fotos novas e poder realizar? O que me faz feliz é o que te faz feliz? Eu procurava entender, eu procurava encontrar os sinais deixados no chão. Mas só agora entendi que a vida não um jogo de palavras cruzadas, onde tudo se encaixa. O que será que ela quis dizer, com cinco letras, começando com “A”? A _ _ _ _.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ela

Ela tornava o impossível real em seus sonhos e por isso sabia sonhar acordada. Ela é menina, ela é moleca, ela corre pelos campos de braços abertos, sabe colher flores, admirar a beleza de um dia chuvoso, com a água caindo na janela. Ela se assusta com raios e dá risada dos trovões, ela canta na frente do espelho, se veste e treina sua sensualidade. Ela ouve canções com o volume máximo, imagina os limites do seu corpo. Ela brinca como moleque, dança como moça e vive como mulher. Tem sonhos impossíveis, tem amigos imaginários, têm sonhos realizados e amigos de verdade, aqueles que nunca abandonam. Ela só quer ser feliz e um mundo mais equilibrado, ela quer conhecer o que é o amor e aprender com ele compartilhar. Ela espera seu príncipe encantado, que seja alto, forte, inteligente e bonito. Que saiba agradar seus pais, que tenha um belo cavalo, que não tenha medo de beijá-la e carregar-te em seus braços. Mas agora ela canta com as estrelas e confessa pra Lua seus maiores segredos, em troca a Lua revela o seu poder de encantar e ensina o que ela nasceu pra fazer. Ela bagunça o cabelo que quase nunca fica bagunçado, sente prazer nas coisas simples e sabe amar com complexidade. Buscando a cada dia a felicidade e a convivência com a saudade. Saudade do que se foi, saudade do que virá, saudade das estórias que ainda vai realizar, e da ânsia de fazer tudo aqui e agora. Ela quer conhecer o mundo, entender as pessoas, observar as paisagens e semear suas flores. A noite quando dorme não dorme, ela dialoga com anjos, que vem encontrá-la em busca de saber, como essa moça faz pra encantar. Por isso está sempre com sono, pois passa a noite a ensinar seres supremos. Hoje ela decidiu levantar cedo, abrir sua janela e gritar, só pra ver o vizinho reclamar, o cachorro latir, a criança acordar e o mundo sentir que ela é viva e tem a força de viver correndo em seu corpo.



Eu fui ao encontro dela como o alvo procura a flecha

Sentei-me a terceira margem do rio a observá-la nadar.

Foi quando vi suas asas e minha imensa vontade de voar.

Não sei por que um ser que sabe voar se interessou por meus pés

E me perguntou se poderíamos juntar,

Ficaríamos o tempo todo abraçados

E assim poderíamos correr e voar ao mesmo tempo.



É claro que prefiro voar,

Mas com ela entendi a graça de correr.

Suas asas me levam ao infinito,

Meus pés nos mantém no chão

E juntos somos livro nas estórias de verão.

De verão outono e primavera,

Mas nada me condena a deitar em suas asas no inverno

E contigo respirar o ar frio do mundo pra sonhar.

Me apresentaste vossos anjos,

Entendi porque és tão bela,

Conheci suas manias de menina

E só bebi do amor entre eu e ela.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Todo o meu canto.




Enquanto for um colo meu

Sonhos passarão por seus braços

Enquanto for um colo meu

Todo suspiro é lembrança ou medo

Todo canto é lugar ou soneto

Todo gueto é lugar pra cantar

E cada canto desperta as paredes

Unidas pelo som de encantar(cantar)

Onde cantas e choras com redes

Que as aranhas te ajudam bordar(cantar)


Cada copo de leite caído

Gera a luz que escorre em seus olhos

Onde o canto parece gemido

Em que a janela não mostra o seu sol

Quem persegue o segredo de vido

Encontra na terra o farol

Onde o abraço é quase partido

Onde o prego se torna esse anzol


Hoje cessam nossas cores no ar

Hoje calam quem já canta a canção

Hoje as ondas não deixam seu mar

Onde agulha transforma o ferrão


Quero ver o cantar de seus olhos

Refletidos no timbre do rio

Pra mostrar que essa vida tem jeito

E preencher o que resta vazio

Pois vazio chora o canto sozinho

Quando nós de mão dadas saímos

Encontramos o que era destino

Pra pintar colorir o que é escrito

E o que fica na alma é tão fino

E o canto nas mãos torna grito.


Foto de:http://photography.nationalgeographic.com/photography/?source=NavPhoHome

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Irrelevantemente constante.


Ontem foi o meu aniversario e hoje, pensando nas pessoas que me corresponderam desejando parabéns, passei a lembrar das pessoas que também se lembraram e não puderam me parabenizar, pensando nelas, pensei nas pessoas que não se lembraram mas que mesmo assim, me conhecem e gostam de mim. Sempre acreditei que a vida fosse feita das coisas que criamos, das vitórias que conquistamos, mas só agora percebi que não adianta vencer a corrida quando ninguém esta lá pra te abraçar, não adianta cantar a mais bela das canções se ninguém está lá pra te ouvir cantar. Hoje me lembrei da maioria das pessoas que me fizeram ser o que sou, mesmo que com uma única palavra, mesmo com um único olhar, mesmo com demonstrações de ódio ou amor, só hoje percebi que sou resultado do que previamente foi planejado somado as milhões de ações das pessoas a minha volta e pensando nisso percebi que mesmo com pequenas ações, cada pessoa ajuda a construir outra e que seus amigos nada mais são que um mutirão de pessoas ajudando a construir-se. Existe o eu, existe o você, existe a família, podem existir amigos e inimigos e pessoas irrelevantes. Seja como for, cada um tem uma parcela de culpa pelas ações de cada um e assim é, com todos os seres que tem personalidade, do animal ao vegetal, do adulto a criança. Por isso hoje quero agradecer-te por contribuir pra me fazer o que sou, em especial a mulher mais forte do mundo, exemplo de coragem sabedoria e fé, Lúcia M dos Santos. Tu és como rocha termal que mesmo em meio a águas dos olhos, jamais perde a dureza e força. Quero ser como você quando crescer.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Pequeno ser.


Agora eu sei exatamente o que dizer quando seus olhos fecharem. Cada gota leva a luz que da vida ao fogo. É viver sob as influencias das variáveis do mundo, sem saber ou ter certeza do nada. Até hoje não tenho, mas naquela época vivia sob meus instintos. As preocupações me preocupavam bem menos, meus sonhos eram tão distantes e acreditava ter todo o tempo do mundo pra realizá-los. Quando o gira-sol se movia ao longo do dia, eu zombava e aproveitava onde se podia viver feliz. Foi quando conheci a figura de Deus e aprendi a duvidar pela primeira vez. Foi assim que conquistei minhas certezas e passei a duvidar do que era nítido antes. Sempre tive companhia pra buscar e encontrei meu caminho mais certo guiado pela força extrema, pelo amor maior e pelo instinto mais puro e enganado. Contra a correnteza a gente passa por águas profundas, até desiste de nadar, mas tenho fome de distancia e hoje aprendi que momentos nos levam a formação do que sou hoje e o que serei amanhã. Nostalgia isso, mas é tudo que tenho pra mostrar. Rezamos juntos, acampamos na estrada, olhamos as estrelas, beijamos embaixo das árvores, nadamos nas piscinas alheias, pulamos muros pra roubar frutas, nos perdemos no tempo escondido, machucamos as pernas, ralamos os joelhos, caminhamos nas matas e aprendemos o primeiro sinal da amizade verdadeira. Sinto saudade desse tempo, quando minha maior preocupação era ficar com mais garotas que meus amigos, quando toda brincadeira levava a um fim, aprendi a lutar, fisicamente e mentalmente. Pra enfrentar com força e coragem os desafios que se foram e os que virão. Agradeço aos que me fizeram o que sou e me ajudam a construís o que serei.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Linguagem


As vezes eu gosto de olhar as estrelas e imaginar quantas pessoas no mundo estão olhando para essa mesma estrela. O que elas estão pensando agora? Onde elas estão agora? Quantas dessas pessoas eu conheço? É interessante como nosso pensamento sugere uma linguagem entre nós, e isso é infinito apenas quando realmente pensamos nela de forma a acreditar na sua existência. Dias atrás eu viajava sozinho de carro, quando sem perceber deixei a luz do meu carro alta ao cruzar com outro veiculo, assim o motorista desse veiculo também deixou sua luz alta por uns instante, o que foi suficiente pra eu perceber minha situação e abaixar minha luz. Pode parecer um fato comum, mas então pude perceber que por alguns instantes eu estabeleci uma forma de comunicação com essa pessoa. Onda ela está agora? Quem é ela? Será que eu a conheço, ou um dia irei conhecer? Quem sabe, foi apenas um instante de comunicação recíproca onde ambos se conciliaram pra resolver um problema em comum, só isso, sem mais intimidade que um simples algoritmo de computador (1011000110). Porém, a dada situação me fez pensar, me gerou sentimentos, o que foge da nossa primeira linguagem coloquial. E agora será que esta pessoa também pensou nisso? Provavelmente não, mas o mundo é feito de três coisas; as certezas, as incertezas e o que acreditamos ser real. As certezas não existem, as incertezas são produto da nossa mente incrédula, e o que acreditamos está sujeito a todas essas variações juntas. Logo, nada é real, tudo é produto do infinito poder da nossa mente limitada. E o amor que é o que então? Aff fica pra próxima, já viajei demais hoje.