segunda-feira, 9 de agosto de 2010

De pombos e sementes



Eles não sabem me amar,
Eles só pensam em si
Só fazem sangrar
E o que eu faço é sentir

Por tudo que fiz, não cobro algo em troca
Mas sinto essa carência como o abrir vão da porta
Quando um ovo se quebra, abre-se o bico pra comida
Noutro dia quando sol nasce, batem as asas da partida

Não que eu queira algo em troca
Não que eu esteja insatisfeita
Mas espero como a roça
Colhe os frutos da colheita

Éramos um par
Éramos um lar
Hoje somos partida
Dos encontros e despedidas

Mas não me importo com isso (nem sempre)
Sei o caminho que escolhi
È como fosse um feitiço
Do veneno que bebi

Quero ver os frutos maduros
Quero ver as aves voar
Planejar nosso futuro
Pra ver onde vão chegar
A semente que plantei
As penas ficaram pra traz
E o amor que já deixei
Não se esquecerá jamais

Tombar a terra, regar, plantar, continuar.
Pra matar a fome
Pra juntar meu lar
Pra fazer um homem
Em meu colo sentar.

E senta-se homem
Pra levantar-se menino
Os frutos que come
Eu continuo sentindo

E retomo com carinho os abraços e beijos.
Que não caia o meu filho nas tentações do desejo.
Põe a vida nas mãos de seu Pai,
Que ele te mostra o caminho,
Quando eu não mais aqui estiver,
Feche a porta e não siga sozinho.

Volte cedo, acorde cedo, coma direito, se agasalhe, escove os dentes, reze antes de dormir, cuidado com as amizades, não caia nas tentações da vida meu filho...
Mães são meninas moças de pés no chão.

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